CARTA POS-MISSÃO DA NIGÉRIA
Postado em 4 de Fevereiro de 2010 por bedhungDe Diana Udua para o time do Caminho,
Quando homens começam a dominar outros homens, o resultado é a opressão e introdução de suas próprias regras e doutrinas para sustentar a posição de autoridade adquirida sobre os menos informados.
Num período de um pouco mais de 2 semanas, trabalhar com o time do Way to the Nations (Caminho às Nações) foi algo novo. Trouxe um despertar de consciência para o fato de que as crianças podem em breve crescer odiando Jesus que tanto as ama e zela por elas.
Visitar com eles igrejas, crianças estigmatizadas e trabalhar para mudar as crenças na “bruxaria infantil” propagadas por “pastores ignorantes” me deu a oportunidade de explorar a Bíblia por mim mesma e me equipou com respostas a questões relacionadas às crenças de crianças bruxas, introduzindo uma inteira e nova dimensão à minha paixão pelas crianças e pelo nome de Jesus, o qual tem sido tanto “bastardizado”.
A experiência também intensificou meu ódio por doutrinas que de forma alguma estão empregadas para reconstrução do relacionamento entre os homens e Deus através de Jesus. Apesar de eu não estar a procura de nenhum grupo para pertencer, eu sinceramente desejo que Deus possa encher meu coração com paz, misericórdia e amor em abundância para que eu possa então alcançar aqueles para os quais Ele me chamou para alcançar.
Algo que significou muito para mim foi perceber o fato de que as crianças têm anjos que estão constantemente perante a face de Deus. Como poderia então Deus ser tão mal a ponto de permitir que crianças se tornassem bruxos?
A obra é realmente grande, a colheita é abundante… mas os trabalhadores são poucos e eu oro a Deus para prover muitos mais com graça para transformar a vida das crianças de uma forma que agradará o Pai da humanidade. Eu tenho que descrever este período como outra oportunidade de aprendizado e como plataforma para intensificar meus esforços no trabalho que faço com e por estas crianças.
Fiz novos amigos, cortando as barreiras de raças, cor de pele, diferenças culturais, crenças pessoais e éticas, mas tudo com uma coisa em comum “compartilhar o amor de Cristo e o desejo de espalhar do mesmo amor para a humanidade”.
Vocês foram exemplo de paz, amor e união durante sua estadia aqui. Não me arrependo de ter investido meu tempo trabalhando com vocês. Eu oro para que a alegria que encheu nossos corações permaneça fresca e que juntos possamos fazer a nossa parte como agentes de transformação. para gerações ainda por vir.
Com amor para Leo, Marcelo, Leo 2, Jojó, Cezar, Willian e Clayton.
Diana Udua, 01/02/2010
Eket – Akwa Ibom State –Nigeria
(Diana trabalha como assistente social para a Stepping Stone Nigeria, ONG do Gary Foxcroft que luta pelos direitos da criança na Nigéria.)
Carta traduzida do original em inglês.
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Postado por Blog do Caminho no Caminho da Graça | blog em 7/07/2007 11:59:00 AM
“NÃO VIM TRAZER PAZ, VIM TRAZER ESPADA”
Postado em 28 de Janeiro de 2010 por bedhungAmigos, no domingo que antecedeu nossa última cruzada, que ocorreu na segunda dia 18, acordei com uma vontade de serpente… Queria cruzar as linhas inimigas e dizer a eles claramente que a guerra contra a estigmatização infantil estava aberta e declarada e que não adiantava mais eles se fingirem de surdos. Dizer a eles que até agora eles só tinham enfrentado gente que desconhece suas táticas, mas que agora iam ter diante deles o obstáculo de gente que crê em Deus e em Sua Palavra! No meu coração, onde carrego pela Graça de Deus, a simplicidade das pombas, havia ainda a esperança de uma conversa diplomática que abrisse, ao menos, um canal de discussão; considerando que eles NUNCA foram confrontados “espiritualmente” em sua insanidade, afinal de contas, Paulo também tinha orientado Tito a “fazer calar os insubordinados, faladores frívolos e enganadores: eles devem ser repreendidos severamente, para que sejam sadios na fé “.
Assim, despertei o Leonardo e o Adailton dizendo: “Vamos, hoje vamos ao culto na Liberty Gospel, de Helen Ukpabio!”
Pedimos ao motorista que nos levasse à franquia mais próxima dessa grande denominação. Ele olhou com estranheza para nós, e eu disse a ele: É isso mesmo meu amigo, L-I-B-E-R-T-Y G-O-S-P-E-L! Ok?
O Emmanuel, nosso motorista naquela manhã, estava todo engravatado, bonitão… Ele já sabia que iriámos fazer inscursões pelas igrejas para continuar a convidar famílias para a cruzada de despedida no dia seguinte. Ele só não imaginava que iríamos convidar justamente aqueles que tem causado tanto estrago na sociedade cristã daquele país, através de contínuas pregações, livros de Batalha Espiritual, filmes como aquele que apresentamos no Dôssie (End of the Wicked) e muitos exorcismos infantis.
A opinião do Emmanuel eu já conhecia pelo que ouvia dos pastores o tempo todo: A Liberty Gospel é formada por gente que fica agressiva, contenciosa… Eles invadem conferências, impedem a ação das ONGs, abrem processos judiciais contra opositores. O povo deles se movimenta como um batalhão. O batalhão da prosperidade, do grito de guerra, do domínio de território mediante o declarar da autoridade do nome de Jesus, e todas essas coisas que já são velhas do lado de cá do Atlântico.
Assim que voltamos da visita, derramei meu coração junto ao meu povo em Santos. Às vezes, tenho que falar, colocar para fora, dizer como me sinto…Por telefone ou email. Faço isso escrevendo para o Caio, meu pai na Fé e pai dessa Missão; e outras vezes para o Bregantim, pastor do meu coração. Também me queixo com Rejane, mas pouco… só para receber um carinho… rsrs… Para esses tais, escrevo rápido, sem pensar em nada, falo com a alma mesmo… Dessa vez, escrevi para Santos, o grupo todo. Escrevi sobre nosso encontro com os profetas do infantícidio em nome de Deus. E foi conforme está abaixo. Transcrevo aqui para que não tenha que recontar a mesma história. Gostaria muito que vocês o lessem, pois manifesta muito do espírito dos dias finais dessa primeira viagem da Missão Pequeninos na Nigéria. E esclarece porque voltamos certos de que não deixaremos o campo de batalhas até que a bruxificação infantil tenha sido varrida de lá! (Aos que não creêm, meu lamento e minha gratidão por nos suportar em nossa insensatez).
Meu povo e gente querida do Litoral Paulista,
Não consigo escrever porque a conexão é ruim, quando tem… e o tempo é curto, quando tem!
Mas preciso lhes dizer sobre a manhã desse domingo: Hoje falamos com o diabo. Dentro do escritório dela, cercado por um monte de homens imensos, ouvimos as maiores heresias que um ouvido cristão podia ouvir.
E para completar, ainda fomos amaldiçoados em nome de Jesus, mandados de volta para nossa área e país porque aqui é território deles! Ela disse que queremos ficar ricos e fazer dinheiro na África, e que, respaldada na Bíblia, ela tinha autoridade de nos repreender e julgar! Ela já sabia da nossa existência e tinha mandado “espias” na primeira cruzada…
Nós a retrucamos, falando que Deus vai calar a boca assassina dela; falamos que nossa área é são os confins de toda a Terra, e que nossa autoridade em Nome de Jesus era sobre todo território onde existia vida humana, falamos que se ela não mudar e continuar pregando a violência contra criancinhas que JESUS, e não nós, vai dizer a ela no último dia: Não conheço você!
Ela tremia. Estávamos calmos. E em paz.
Só perdi a calma quando ela nos enxotou do escritório (Nós fomos levados para o escritório assim que chegamos, outra pessoa assumiu o púlpito e essa senhora, clone Ukpabiana, gritava: As crianças tem espírito de advinhação! Voltem para a Jerusalém de vocês!)… Assim que saimos da sala, diáconos e diaconisas nos assistiam com um sorriso de canto de lábio.
O Adailton, então, sacudiu a areia das sandálias, simbolicamente. Depois o Leonardo. E eu em seguida, tirando a poeira dos nossos pés e dizendo aos berros: Viemos em paz! Nossa paz agora volta sobre nós!
Os homens, feito estátuas nem se mexiam… Ela gritava!
Bati minhas sandálias-sapato contra eles com tanta força que subia areia na minha própria cara! Fiquei fora de mim… Eu quase esmaguei um sapato contra o outro! Andei de meias pela rua e se o Emmanuel não me contém acho que eu estava até agora lá, me livrando da impregnação daquele chão!
Chorei no carro. Chorei de raiva! Chorei de expor o Emmanuel também, que vai ficar na Nigéria enquanto nós vamos embora! Não gostei disso. Pedi “Sorry, Eman…! Sorry!”
“Bater as sandálias” é uma experiência horrível (Lucas 10). Significa que eles ouviram e rejeitaram… E para além disso, nenhum paz é possível e que, agora, viemos trazer ESPADA. Sim, igreja contra igreja, filhos contra pais, ovelhas contra pastores, autoridade contra autoridade, pois uns crerão e outros não.
Pena que agora a guerra tem cara, nome, placa. Quem está do nosso lado e do lado das crianças CONTRA o espírito que opera nos “filhos de Helena Ukpabio”, da Liberty Gospel Church.
Amigos, amanhã acontecerá nossa CRUZADA FINAL, de despedida, em campo aberto. E nosso único colete à prova de balas procede do Espírito que nos cobre. Não temos medo. Mas a polícia já avisou que vai estar amanhã lá para evitar confusões. Os pastores locais que nos apoiam foram convidados a sair da toca e comparecer.
Por favor, meus irmãos, orem por nós. Orem por mim, por todos. Orem pela Nigéria. Para que, não importando o que nos aconteça, a palavra de Deus NUNCA fique PRESA, mas vá e cumpra o que a DEUS apraz fazer!
Estrategicamente não era hora de ver o diabo nos olhos, pq agora podemos ser vigiados e ameaçados, e isso pode atrapalhar o andamento acelerado das coisas. Mas, por outro lado, eu não via a hora de vê-lo e de falar na cara dele, como fiz olhando nos olhos dela:
“Eu conheço você! E seu espírito não é de Deus! Nós, discípulos de Jesus, somos bravos como vcs são; e só vamos embora quando isso acabar! A gente é igual vocês e não vai desistir NUNCA! NUNCA!
Guardem esse nome, disse o Leonardo: WAY TO THE NATIONS! Nunca deixaremos esse país! Até que isso acabe!
Foi a primeira vez que alguém lhes resistiu na face, pois quando o fazem aqui é sempre escondido, em púlpitos distantes…
Também foi a primeira vez que alguém nos enfrentou frontalmente durante todos esses dias. E não tiveram medo de nós e da nossa autoridade em nome de Jesus.
Está acabando…
Mas nem começamos…
Domingo próximo verei o rosto de cada um na Estação em Santos, se o Senhor assim o permitir!
Marcelo
A ÁFRICA DOS MEUS SONHOS
Postado em 26 de Janeiro de 2010 por bedhungNão trouxe a África nem nas minhas bagagens! Nenhuma lembrancinha de aeroporto.
Pra que lembranças se não vou esquecer? Esculturas artesanais que desenham lindas mulheres negras vivendo o cotidiano de carregar lenhas eu já as tenho em casa faz tempo por iniciativa da minha esposa. Temos negras, japonesas, espanholitas, nordestinas, holandesas, indígenas… Souvenires de amor transcultural.
Entretanto, nessa primeira madrugada uma torrente de sonhos transpassou toda a noite em muitas memórias e ecos.
Sonhos. Sonhos muitos. Sons estranhos. Misturados. Faces várias de crianças tantas.
Trouxe a África comigo. Trouxe as ocultas personagens desse intercâmbio. Trouxe os rostinhos dos que ficaram no meio do caminho enquanto prosseguíamos. Sinceramente não sirvo para salvar ninguém por estatística. Ou dou um jeito logo em tudo, ou é melhor nem ter começado!
Nos meus sonhos, voltei a um vilarejo miserável em Oron, miserável cidade de Akwa Ibom State.
Devolvemos a essa vila um jovenzinho-bruxo todo quebrado pelo “vodu cristão”! Ele foi levado ao campo pelo irmão mais velho e quando ia ser imolado com um facão, foi arrancado da morte pelos homens do Chief Mr. Medekon, um dos maiores e mais respeitados anciãos da cidade. Conduzido ao orfanato, coube-nos investigar a causa de sua bruxificação e conversar com seus pais a respeito.
Mr. Medekon e sua equipe nos levaram ao vilarejo de origem. Lugar escuro, casebres de argila, aspecto tribal, sem ruas, mantido resfriado pelas palmeiras que se levantam ao redor. Parecia que todos já nos esperavam, inclusive a “vítima”, Emilia, a criança a quem o garoto, supostamente, impôs feitiços: uma menininha com cara de dor, com uns 5 aninhos, que carrega uma corcunda no meio das costas, entre as clavículas. É um edema que desvia sua coluna e aperta de dor seu pequeno peito. O chief, casado com uma enfermeira inglesa aposentada, suspeita de uma má-formação vertebral. Tomei em meu colo a criança. Ela não anda. Dói. As crianças a carregam. Sua mãe olhava esperançosa para mim. Mal sabia que eu mal sei. Toquei, apalpei, circunscrevi, pensei, consultei o arsenal mínimo de informações que a semiologia me deu durante esses anos que trabalho com neurologistas e minha sugestão diz respeito a uma tumoração que está esmagando o que tem ao redor de si. Sua origem só exames de ressonância poderão mostrar. Sua extensão aparecerá em tomografias com cortes precisos das imagens. Sua malignidade, só via-biópsia. Sua possibilidade de cura, só um neurocirurgião pode determinar; pois caso seja maligno, precisa saber se é invasivo – metido entre vértebras ou peritônio. E só será operável em função da nobreza da região no qual se está implantado. Se for ortopédico, há um longo caminho entre intervenções cirúrgicas e fisioterapias.
O chief, apoiado sobre sua bengala-cedro, nos chamou de canto e falou baixinho para que as dezenas de moradores que nos cercavam não ouvissem: “Amigos, se vocês conseguirem curar essa moça por vias médicas que não temos aqui, daí com um único exemplo, nós derrubaremos a crença mitológica de meu povo ignorante! Façam isso por nós, por favor!”
Ele usou de uma lógica ingênua e ao mesmo tempo racional: Ora, se a causa de muitas crianças serem expulsas dessa vila (bastando para tanto confessarem que são bruxos) está relacionada ao incurável desvio ortopédico da menininha, a cura dela cessaria o fluxo de acusações e suspeitas que viviam recaindo sobre as demais crianças moradoras do local.
Ali mesmo, sem mesas de escritório e mapas estratégicos, acreditamos que nada nos seria impossível, mesmo sendo tão desafiador! Lembrei-me que Jesus mandou curar os enfermos e expulsar os demônios dos vilarejos e cidades que entrássemos, anunciando-lhes que o Reino é chegado! – É foi o que decidimos fazer!
Pedi à Diana – nigeriana da Stepping Stones Nigeria que estava secretariando nossa visita a essa cidade – que anotasse os caminhos:
1) Procurar um médico clínico que providencie um hospital para exames de imagens e diagnóstico, e encontrar tal médico e tais exames nem que fosse seja lá aonde!
2) Com o diagnóstico médico, ter detalhes do tratamento a ser instituído e sua morbidade;
3) Se for tratável, levar a menina Emilia para a Europa através de um grande levante de fundos junto aos amigos do “Caminho” pelo mundo, não deixando de crer na possibilidade de que uma equipe de anjos a opere gratuitamente, considerando fatores de extrema pobreza e gravidade do caso;
A tempo, ainda estávamos lá dias depois, quando a Diana encontrou um hospital-escola no centro do país que disse que faria exames imaginológicos a um valor que só saberíamos na hora da consulta (Na Nigéria, não tem SUS!). Deixamos com ela o dinheiro para o transporte da família até o hospital e vamos aguardar os resultados.
Após o “exame clínico” da criança, Mr. Medekon nos pediu mais um favor: Falar com aquele que ele considera o maior culpado pela persistência dessa relação “doença de uma criança – caça de outra”.
Pedi para chamar o pastor, então.
O homem apareceu quase imediatamente entre nós, de motinha. Suava muito debaixo de um terno que não tinha nada a ver com aquele monte de crianças peladas e adultos maltrapilhos.
Sua igrejinha não era ali perto. Não. Era exatamente onde estávamos! O chão no qual nos sentamos era o cimentado da igreja e nós nem sabíamos. E a igreja era mais um casebre dentre tantos ali, uma Assembléia de Deus abandonada pela Assembléia de Deus como a maioria das Assembléias de Deus que assembleiam-se por lá.
O Leonardo foi direto ao assunto: “Pastor Moises, qual sua culpa nisso tudo? O que você ensina a essa comunidade? Por que, apesar de sua influência cristã aqui, eles ainda crêem na bruxificação de crianças?”
O pastor estava ali, exposto a todos, cercado de dezenas de famílias, e negando sobre o olhar raivoso do chief, que tenha participação em tudo. Para nós não havia surpresa na negativa pastoral… Foi assim a Missão inteira. Diante de nós, todo mundo nega tudo ao mesmo tempo em que pede clemência!
Aproveitamos seu estado de culpa, pedimos o auditório da sua igreja p´ra levar para uma reunião comunitária todos os que nos cercavam. Ele com toda prontidão abriu suas portas e num único assobio, convocou a vila.
As crianças e os adolescentes foram os primeiros a tomar assento. Estavam ansiosos e esforçando-se por captar o que se passa na cabeça dos adultos. Os pequeninos participaram da assembléia como quem buscar entender seus direitos à vida. Dava pena de vê-los tentando interpretar nossas brigas, discussões, apelos, réplicas, desafios, argumentações…
O Leo pregava em inglês contra a estigmatização infantil ensinando como Jesus tratava as crianças. O pastor Moises o traduzia para o dialeto local, especialmente preocupado em que os menores entendessem. Tal gesto foi me conquistando…
Ao final da preleção (aos berros, como tudo tem que ser ali), o Leonardo perguntou quem era contrário ao retorno do menininho quase imolado ao seio de sua casa. Pai e mãe aguardavam com expectativa a manifestação ou não de alguém.
Daí um adolescente de uns 16 anos se levanta, pede a palavra e discursa em inglês com incrível habilidade oratória: “Que garantia vocês nos dão de que o menino-bruxo não fará mais mal a minha vila?”
- “E de onde você tirou tamanha convicção de que ele é bruxo?” – disse o Leonardo.
- “Ele confessou que é bruxo! E quando um possesso confessa que o é, está confirmado seu estado!”
- “E eu sou o Barack Obama! Você acredita na minha confissão?”
- “Não! Eu não conheço você, mas sei que você não é o Barack Obama!”
- “E você conhece a criança ou o diabo dela para crer no que ela diz a seu próprio respeito após ter sido tão pressionada? Sobre pressão uma criança confessa o que dela pedirem!”
Começou então o de sempre: Eles brigam em Ibibio, o dialeto local. E uma gritaria ibibiana tomou o lugar, uns agredindo os outros, todos ao mesmo tempo, feito reunião de condomínio!
Eu só assistia enquanto fitava o belo jovem que a nós se opunha! Senti nele uma mistura de sinceridade com a presunção típica de quem pensa que nasceu sabendo coisas com as quais peitava o Leonardo e o Chief. Daí, pedi para falar. E o fiz, gritando e andando pelo pequeno recinto cinza:
“Meu amigo, quando os “white men” escreveram sobre o assunto, o teu pai nem tinha nascido. O idiota do homem branco que determinou que endemoninhados confessam que o são em nome de Jesus nem podia imaginar que vocês aplicariam isso à crianças! Agora, seus pastores pioram as besteiras que os meus escreveram e você acredita nisso como se fosse uma grande revelação??? Defenda suas crianças, rapaz! O próximo acusado pode ser seu irmão, pode ser VOCÊ! Pare de assistir filmes ridículos! Pare de acreditar em Helen Ukpabio! Creia em Jesus! E se você é o futuro mentor dessa vila, está na hora de aprender o Evangelho de Verdade, que deixaremos em suas mãos, para ensinar a todos!
Ele sabe que falávamos com autoridade, mas com amor e respeito por ele! Ao final, ele acatou com muita sinceridade nossas palavras e creu nelas de todo o coração! O Espírito me revelou que ele presidirá os “do Caminho” naquele lugar, como sábio guardião da fé.
Também sei que Deus vai curar Emilia, a pequena corcundinha. Orei debruçado sobre a cabeça dela como por um filho meu… Pedindo que o Pai a livre do Mal; e sobre o mal em suas costas passei minha própria saliva, misturada ao seu suor, untando-a assim com um bálsamo estranho até a mim mesmo… Preparando-a para a cura, seja pela medicina do Milagre ou pelo milagre da Medicina!
No dia seguinte, nossa equipe voltou até lá com material de ensino, com Evangelhos e literatura infantil. Encontraram resistência de outros homens, ausentes no dia anterior e motivados somente pelo espírito de inveja e pela embriaguez que os tomava. Eles recolheram alguns da reunião “no tapa”, mas a própria comunidade tratou de desprezá-los! Mães, pais e filhos queriam a Boa Nova do Evangelho e não os temeram. Os pais do menino pediram que assim que a “poeira abaixe” e as oposições se silenciem possamos tirar seu filho do orfanato e levá-lo de volta para casa. Por ora, estamos cuidando de seu bracinho quebrado.
No pequeno vilarejo em Oron, a Paz deu o ar de Sua Graça!
Ao nos despedir o chief me disse profundo: “Sei que nada faz sentido algum para vocês aqui, mas, por favor, não desistam do meu povo! Por favor!”
É esse clamor que me ecoou pela primeira madrugada pós-africana.
Essa não é África do meu Sonho, mas é a África dos meus sonhos.
Por favor, não desistam desse povo!
Por favor!
Marcelo
Diário da Missão - último dia
Postado em 21 de Janeiro de 2010 por bedhungDia 19 de Janeiro. Amanheceu nosso último dia na África!
Despedimo-nos de muita gente querida, discípulos amados que andaram conosco todo o tempo e fazendo assim, iniciaram, eles próprios seu andar com Jesus.
Sair desse campo de batalha não é fácil. Como todo lugar onde a loucura acontece à luz do dia, esse lugar que se põe escondido do resto da Terra.
Então, num barquinho-canoa que mal nos continha sem virar, ainda nos acompanharam três amigos que se auto-promoveram nossa “equipe de segurança”.
Além deles, iam nossas malas, pranchas de surf, câmeras de vídeo e fotos com o registro visual de tudo que temos escrito nesse diário.
O barco correu o rio Níger, imenso e assemelhado aos afluentes amazônicos das minhas primeiras experiências transculturais.
E aportamos em outro Estado da Nigéria: Cross River, na capital Calabar.
Um motorista de Van incrivelmente bêbado nos levou até o aeroporto local e, como nossos amados “seguranças” continuavam conosco colados, ficamos todos mais apertados dentro do carro do que estávamos antes no barco.
Despedir-se deles foi triste.
Estamos torcendo muito para que eles reguem o que semeamos em sua terra.
Constrange ver uns negões altos e fortes chorando o mesmo choro fino e aflito das crianças que também deixamos.
Sei que o sentimento deles é o mesmo que o delas: De abandono.
Um avião todo velho nos levou até a maior cidade do país, de onde se parte para o exterior.
Mofamos lá o dia inteiro em mil check-in e check-outs devido aos rigores impostos aos nigerianos depois que um deles quase explodiu um avião americano. Mas, nesse aeroporto, pela primeira vez durante esse tempo, almoçamos “dignamente”. Comida “normal”… Sabe arroz, batata, frango…? Coisas do nosso dia a dia que desapareceram do cardápio no meio do nada-africano.
Chegou a noite e finalmente embarcamos rumo à Europa. Descemos em Madrid já era dia 20, aniversário da minha esposa, e lá começamos a nos separar: Os Leonardos embarcaram para Londres, e os demais, para o Rio de Janeiro.
Agora, já passadas cinco horas de vôo, o Jojó está ouvindo música, o William resolveu começar a falar inglês – feito efeito retardado, pois na Nigéria ele só se comunicava por sinais! O Clayton, sempre muito ativo, está aqui andando de um lado para o outro… Como as janelas estão fechadas, não tenho qualquer temor que ele se jogue… De vez em quando peço um suco só para dar finalidade aos seus passeios pela nave.
O Adailton está aqui do meu lado tomado de uma rinite alérgica infinita (eu já estou todo molhado… putz…), porque o aviãozinho que fez o itinerário na África tinha um cobertor altamente povoado de ácaros… Foi nosso último contato com os insetos na África… Os outros voam sozinhos mesmo: uns helicópteros que picam com raiva, umas mariposas gigantescas, formigas pré-históricas…
Eu estou olhando pela janela. Da Espanha, percebo que voltamos à África, sobrevoando o deserto do Saara, chegamos a Dakar e desde agora a pouco, abaixo de nós só há o mar, o Atlântico, oceano que banha minha cidade de Santos.
Santos…
Ali nasceu a segunda estação do Caminho da Graça! Gente terna e apoiadora…
Ali tenho uma casinha de varanda, por fora toda branca. Por dentro toda revestida de amor, simplicidade, ternura, perfume, recordações de nações visitadas e uma criançada levada, que, na minha ausência, todo dia se auto-convocava a orar por mim, pelos meus amigos comigo e pelos pequeninos visitados por papai e que nunca tiveram um pai. Tem sido assim a cada Missão. Vou embora e volto para casa e para minha própria secularidade e sustento. Por onde passei fiz laços. Nunca disse “adeus”. O mundo é pequeno. Mas voltar para casa – confesso – é sempre a melhor parte da missão de quem parte.
Vejo dentro dos olhos dos meus amigos de missão: Cada um de nós só pensa agora em rever esposas e filhos, amigos e parentes. O último beijo foi em meio aos fogos do ano virando… E o próximo beijo, quando descermos daqui, virá das profundidades abissais que moram no nosso íntimo, como as do mar abaixo do avião: na superfície só haverá o azul e a alegria do re-encontro; mas nas entranhas silenciosas das lembranças do Campo, quem nos livrará carregar dessa uma viagem quase tudo que se leva de uma vida?! Vamos desembarcar!
Alegria nos encontros. Silêncio na alma.
Fim… do Começo!
Marcelo, sobre o Atlântico Sul.
Diário da Missão - Estamos partindo, mas vamos voltar
Postado em 19 de Janeiro de 2010 por bedhungNo momento eu não consigo nem desejar abandonar o mau cheiro destas ruas e as dificuldades que o lugar impõe porque os meus sentidos de onde brotam os desejos foram invadidos, poluídos, entupidos e envergonhados.
Estamos voltando pra casa e eu vou… vou com uma batida estranha no peito… vou com a alegria de ter visto tantas famílias serem tocadas por Deus através de nós e saber que muitas delas vão amar e poupar seus pequeninos. Mas vou também com um choro engasgado na garganta pela revolta de saber que mais crianças ainda vão sofrer e ainda vão morrer bruxificados em nome de Jesus.
Até quando Deus, até quando?
Nós vamos voltar.
Eu vou voltar…
Voltar pra casa…
Voltar aqui…
Voltar para o Pai…
Nossa casa é o Pai e nosso Caminho para o Pai passa pela Nigéria.
Vamos passar por aqui novamente. Não sei exatamente quando…não sei por quanto tempo… mas sei o por que. Vamos voltar porque pra quase todo mundo é perigoso vir aqui… pra quase todo mundo isso nunca vai mudar… pra quase todo mundo é melhor ir cuidar do próprio umbigo. Mas descobri que aqui é a terra do umbigo mal curado.
Não vamos voltar pelas crianças que morreram ou vão morrer que fazem partir o coração daqueles pra quem a morte é em si mesmo o fim de todas as coisas e por quem não ha mais o que fazer.
Vamos voltar pelas crianças que não vão sofrer, ou pelo menos não vão morrer ou ser traumatizadas.
E, certamente por muitas crianças que nunca vão nem mesmo saber do mal do qual foram poupadas.
Nós vamos embora, mas deixando nessa terra boas sementes, sementes de amor e de paz as quais com zelo vamos cuidar de longe e confiar que os filhos da paz que aqui a nós se uniram nesta caminhada cuidem de perto, até que Pai nos traga de volta.
Certo é que não lançaremos mão do arado e não olharemos para trás… até que os pais neste país no nome de Jesus não mais sacrifiquem seus filhos mas os amem… até que o inimigo tire suas patas de cima dos pequeninos da Nigéria!
Leo Rocha dos Santos
Eket – Akwa Ibom State
Nigéria
19/01/10
Diário da Missão - A dor de ver…
Postado em 16 de Janeiro de 2010 por bedhungNa terceira fase da Missão PEQUENINOS NA NIGÉRIA, pareceu bem ao Espírito e a nós, descer dos púlpitos, abandonar as conferências dentre os que detêm a primazia no meio do povo, e migrar para o “front”, entrar nas trincheiras para a guerra “mano a mano”, olhos nos olhos! Cara a cara com a realidade!
Ah! E que dura realidade! Violenta! Passados dois dias inteiros de batalha campal e aberta, minha alma amanheceu com um grito entranhado, nunca libertado, da dor de ver.
Ah! Se eu pudesse colocar você dentro das minhas pálpebras! Depois que a gente vê as coisas que tem visto não dá mais para fingir que não viu.
Não me refiro à pobreza extrema. Os pobres, sempre os teremos conosco… Falo a respeito da mais estranha categoria de estigmatização infantil. Tenho por certo que uma bomba de insanidade varreu a humanidade que um dia possa ter existido aqui.
Agora… para qualquer lado que se olhe, está tudo lá… É difícil apagar. Ficou estampado, marcado, manchado. É um painel de horrores e o famoso clichê se aplica aqui: É cenário de guerra civil. Tem sangue, mosquito, estupro, abutres, mutilação, monturo, extorsão, maldição, feitiçaria, tumores, exploração, correntes, medo, terror cristão, desencanto e morte.
Nós nos tornamos máquina de evangelizar, que é para ver se, ao menos, a gente belisca essa coisa nojenta que domina o ar! Esse grupo parece uma equipe “caça-fantasmas”, em meio a mais fantasmas do que se podia imaginar! Parece que a gente nunca mais vai embora! Vejo cada um desses soldados: A gente não pára de pregar o tempo todo que é para dizer ao caos que somos Vento contrário! De súbito, vem uma Força para não desanimar! A gente se poupa do óbvio e se dirige ao absurdo!
Pensar, por exemplo…
Pensar é o tipo de coisa que já paramos de fazer faz tempo! Aliás, parece que tudo “faz tempo…”.
É difícil explicar: Quando a gente pensa que isso é cultural, tribal, pagão e milenar; fica evidente que é religioso, cristão-folclórico, atual. Quando pensa que é religioso então, percebe o pano de fundo absolutamente cultural. Quando, finalmente, se conclui que é religioso-cultural, vê que tudo não passa de MÁFIA. É business! É grana! É o diabo… Mamom!
Porém, mais triste do que enxergar esse cenário de guerra infanticida é perceber que o monstro segue adiante sem dar conta que você existe para lutar contra ele. Para cada estandarte que a gente ergue, se levantam dez outros contrários na cidade!
O que existe na África Central existe em todo o mundo; especialmente, onde existe miséria humana e tráfico de drogas, por exemplo. Aqui, contudo, corre o tráfico de alma! Muitas almas! As almas estão acabando por mais gente que nasça… Está aberta a temporada de caça as alminhas que sobraram: as das crianças!
Já vi muita criança sem alma vagando esse lugar! Andam leeentas, feito velhinhos encurvados, sem expressão ou gesticulação. Olhar vago, perdido, entreaberto, confuso. Espectros calados, semi-vestidos, silenciados…
O mal nesse lugar é diferente da fome, da peste e dos terremotos: Aqui, a matança dos inocentes bruxificados é um negócio epidêmico, abrangente, crônico, tentacular, covarde, conveniente, coletivo, impregnado e palpável. É aqui! É aqui mesmo – a geografia do mal!
E “AQUI” se entenda todo e qualquer lado para onde se caminhe a partir desse mirante de discernimentos aonde viemos parar… Sinceramente, estamos no maior matadouro de utopias; isso aqui é a esquina da desesperança total; isso aqui é o “fim do caminho”; é pior que a morte do corpo, é sua ameaça diária, é a sua sombra espreitando os inocentes, comendo gente, sitiando a gente!
Do contrário, alguém pode me responder a questão cotidiana: As crianças que salvamos para onde vamos levar? E se no único orfanato não tem mais lugar? E se voltar para casa é mais perigoso do que qualquer noite sem luar? E o que fazer quando você tenta encontrar um lugar e ao voltar para buscar não tem mais criança lá? E quando tem mais do que você voltou para levar? Se escolho uma, o que eu faço com a outra que vai ficar?
Aqui tem uma fábrica de produção de crianças-bruxas! Os bebês que cuidem uns dos outros! Adulto é um perigo! Adultos são bichos medrosos! Sim! As crianças vivem tensas. A qualquer momento um bicho-gente-grande pode quebrar seus bracinhos, rasgar suas carnes, pingar sangue em seus olhinhos, forçar seus corpos, transformar cada criança num deles!
Chega.
Vou deixar você dormir.
E não vou contar em casa o que eu vi aqui.
Marcelo Quintela (Way to the Nation)
Aqui
Diário da Missão - No meio da guerra, os Filhos da Paz- relato do 1° dia após a cruzada
Postado em 15 de Janeiro de 2010 por bedhungNos jornais do país, líamos: “Missionários Brasileiros pregam contra a estigmatização infantil”.
***
E então, nos tornamos missionários!
Ora, vejam só… O treinamento para a África foi feito na África mesmo!
O Espírito já havia revelado – tanto aos que vieram quanto aos que nos enviaram em contribuição e oração: “Somente vão!”
Em verdade, nem nós sabíamos que era a primeira vez que uma equipe estrangeira formada por “white men” vinha, EM NOME DE JESUS, defender suas crianças dos constantes ataques que elas recebem EM NOME DE JESUS! Informaram-nos até que os poucos Missionários que vieram antes de nós, nunca chegaram tão perto, nunca se enfiaram no meio do povo, dentro das casas, vielas, favelas, igrejas, rodinhas de rua, debaixo do mesmo sol…
Para, além disso, só agora descobrimos que convocar uma Cruzada em terra estranha organizada por gente tão estranha quanto nós é algo que nunca dantes havia sido imaginado.
Ninguém vem para cá, essa é que é a verdade.
Ninguém fica aqui. Os colonizadores aqui deixaram somente a língua inglesa e a instituição cristã. Agora, eles mantêm presença distante via-exploração de recursos naturais, como é em toda África.
Vejam que até o presente momento, nenhum de nós viu ainda por aqui um único homem branco que seja, senão nós próprios. E olha que “white man” é termo genérico e diz respeito a todos e qualquer um que não sejam negros nativos.
Por isso, quando amanheceu o dia seguinte à Cruzada (Witchcraft Prevention Crusade), uma agenda de compromissos se auto-organizou. Tudo relacionado aos efeitos gerados pela Mensagem que trouxemos, associada a esse contexto acima descrito.
Pela manhã fomos à cidade de Uyo, distante em torno de duas horas de Eket, onde estamos instalados. Uyo tem tantas igrejas quanto aqui, senão mais ainda. Em Uyo, fica a sede da igreja “Solid Rock Church”. Foi lá que fomos recebidos para uma “reunião ministerial” para nos homenagear. Pastores falaram. Nós falamos. A representante das mulheres e das mães nigerianas também expressou ao microfone gratidão por ter ouvido a mensagem do Reverendo Cesar (vulgo, Adailton) e pela primeira vez, ter refletido sobre a Graça de Deus da forma como foi levada a fazer. Um político presente assegurou-nos que o governo vai manter rigidez na consolidação das leis de proteção infantil e tudo o mais. Doaram-nos uma quantia em dinheiro para o almoço (Isso foi o que mais nos impressionou, já que até agora todo mundo só tinha nos pedido dinheiro e nunca nos oferecido!).
O telefone do Leonardo não parou todo o dia. Um evangelista infantil solitário quer se unir a nós. Seu trabalho é pregar de escola em escola. Um jornalista se diz impressionado com os pensamentos de Caio Fábio, após ouvir o DVD que temos em inglês e lamenta que seus livros não estejam traduzidos. A assistente social da ONG inglesa veio nos procurar dizendo que Deus ouviu suas orações, pois faltava gente que trabalhasse na causa dos problemas e não somente nos efeitos e conseqüências. Os motoristas – dois negros imensos – que nos conduziam para lá e para cá sem entender nada, agora, entretanto, sentem-se parte do time (o que para eles, por enquanto, significa não deixar ninguém chegar muito perto de nós e nem cobrar o dobro do valor das frutas nas feiras).
Todos querem nos acompanhar. A equipe parece maior. Somos uma comunidade…
Temos uma segunda etapa agora. Mais densa e abrangente. E para tal, já encontramos os filhos da Paz!
Vamos dobrando as esquinas…
Marcelo e Equipe, segunda-feira em Eket.
Diário da Missão - Hoje trabalhamos em 3 frentes…
Postado em 15 de Janeiro de 2010 por bedhungHoje fomos para a praça central da cidade de Eket, montamos lá uma tenda e nos dividimos em três grupos.
O primeiro grupo ficou na tenda distribuindo folhetos e acolhendo pessoas que por lá passavam.
O segundo grupo foi à escola modelo da Stepping Stones Nigéria e lá puderam observar a graça de Deus chegando até aquelas crianças através de alguns poucos filhos da paz.
O terceiro grupo formado por mim e pelo Adailton, foi de casa em casa levar literatura e propagar o evangelho.
Em cada casa que entrávamos, encontrávamos mulheres e homens ociosos dormindo e com a casa cheia de filhos.
Em uma dessas casas, encontramos uma menina de uns doze anos com os cabelos todos embaraçados e roupas rasgadas, sentada num banco de madeira, com seu irmãozinho com paralisia cerebral no colo.
O menino estava nu, todo atrofiado, e ela toda molhada; parecia que o seu irmão tinha urinado nela. Ela ainda estava tomando conta de mais três.
O que me chocou mais ainda é que ao seu lado estava um caderno todo amassado em que ela tentava em meio às responsabilidades de um adulto, escrever suas lições. Tentando aprender a língua inglesa, deixada aqui como herança. A única coisa deixada aqui pelos ingleses, além deste cristianismo destruidor de esperanças.
Clayton Salgado
14/01/2010
Eket - NIGÉRIA
Diário da Missão - Manndu…
Postado em 12 de Janeiro de 2010 por bedhungMANNDU, A MENINA-BRUXA & DOIS MENINOS SOB O FACÃO
Durante a preparação do evento, fomos visitar uma jovem chamada Manndu, de 18 anos, que aos 12 fora acusada de ser bruxa. Abandonada pela mãe, a adolescente foi viver nas ruas, onde foi estuprada e engravidou. A avó a recolheu de volta ao lar onde teve seu o bebê.
Esta jovem era a cara da solidão, seu olhar era vago, completamente acostumada a não ter amigos com quem se relacionar, sequer abria a boca para conversar com a gente.
Debaixo de um teto escaldante, nós todos suávamos muito até convencer sua avó de que não havia bruxa nenhuma dentro da sua neta, senão, somente uma jovem normal aprisionada por um rótulo maldito da cultura pagã e religiosa.
Oramos por elas, e pelo bebê. Os homens da casa já morreram. Deixamos suprimento financeiro também, que as aliviaria da dura vida por um pouco.
Ao sairmos desta casa, recebemos uma ligação do CRARN, o orfanato. Eles nos chamaram porque chegaram dois novos hóspedes. Um menino de 10 anos e seu amigo de 6, foram salvos por um bom samaritano que passava bem na hora em que ambos seriam sacrificados.
Eles contaram que um irmão mais velho por parte de pai de uma das crianças, estava se dirigindo para o mato com os dois meninos para matá-los, orientado por alguém que não se sabe quem, ainda. Um casal estrangeiro as levou ao orfanato depois que tudo aconteceu.
Triste começo de mais desgraça cheia de cicatrizes no corpo e na alma desses pequeninos.
Jojo de Olivença
Akwa Ibom/NIG
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Valmir Bodruc
Caminho Nações
Caminho da Graça – Estação Santos
(00 55 13) 3019 4928 – 9173 9134
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O Caminho é uma pessoa, seu nome é Jesus!
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CONTRIBUA - MISSÃO PEQUENINOS NA NIGÉRIA - Deles é o Reino!
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Diário da Missão - Choveu na África…
Postado em 12 de Janeiro de 2010 por bedhungPara que haja alegria sem medida em nossos corações.
A aridez está com seus dias contados.
Vamos continuar orando e somando recursos.
Abraço
Equipe Caminho Nações
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CHOVEU NA ÁFRICA!
Pouco mais de 400 pessoas vieram nos ouvir em campo aberto ontem, na tarde de domingo. Havíamos distribuído em torno de 1600 convites; então, julgo que tivemos ótimo comparecimento, graças a Deus. Caímos na “simpatia do povo”.
“Don´t bring any Money; Just bring your heart!” – era a forma como o Jojó abordava cada passante durante os dois dias que circulamos pelas ruas repletas de gente!
Tínhamos 100 cadeiras. Alugamos mais 100. Outras 200 pessoas ficaram de pé. Todos muito curiosos!
Pastores vinham chegando engravatados. Ternos bonitos. Alguns exigiam que um de nós fosse recebê-los na, digamos, “entrada” da “convenção”. Outros vieram entusiasmados para participar no apoio litúrgico do evento. Todos muito amigáveis e colaboradores. Nós procurávamos distribuir as funções de modo que partes opostas se integrassem e não brigassem entre eles.
Graças a Deus nosso coração estava cheio de paz e de objetivo. Recebemos quem tinha que ser publicamente recebido e dividimos o almejado microfone entre apóstolos, reverendos e evangelistas presentes. Eles agradavam o povo presente.
Um deles nos trouxe uma relação imensa de autoridades eclesiásticas a serem citadas, aplaudidas e homenageadas. Fizemos o mínimo necessário. Negociações o tempo todo: “raspamos a cabeça e circuncidamos Timóteo”. Vestimos suas roupas, a todos cumprimentamos com um sonoro “Praise the Lord!”… Nós vibramos com a apresentação de um coral de “crianças-bruxas” recolhidas no orfanato do Sam e trazidas para a Cruzada por um velho microônibus. Cantaram um “gospel negro” lindo que elas próprias compuseram, entregando a Deus o Perfeito Louvor!
Então, um pastor local responsável por anunciar o pregador, chamou em voz alta, carregada de suspense: “Ele!!! Direto do Brasil!!! Ele!!! O homem de Deus!!! Ele! Ninguém menos do que oooooooooooooh… Reverendo Leeeeeeeooooooooooooouuuuuuuuuu Santoooooooos!!!!!”
Quase gritei GOL! Pensamos que o Rocky Balboa ia invadir o que eles chamavam de “plataforma” (Nada mais, nada menos que o mesmo areão que todos nós estávamos). O Leonardo ficou tão atordoado com a tal chamada triunfal que o mineirinho de Londres chegou lá na frente esquecido de toda a programação. Graças a Deus ele se lembrou de chamar o pregador da noite. “Ninguém mais e ninguém menos que o Reverendo Cesar”! Deixa-me explicar: O reverendo Cesar é ninguém mais e ninguém menos que nosso amigo Adailton César! “Adailton” é uma palavra simplesmente impronunciável aqui; e “reverendo” é a titulação mínima necessária para que alguém faça uso do microfone a fim de abrir a Bíblia e pregar com autoridade!
Lascou-se! Lá fomos nós inventar de última hora um “nome-fantasia” para o Adailton! E ele pregou… Pregou ousadamente, com força e autoridade! Com um estilo “pentecostalizado” que nunca tínhamos visto nele, ex-rev. presbiteriano! O bichinho até pulava! O esforço para se comunicar foi recompensador! Ao final, tínhamos recrutado um exército de gente temente a Deus que se vinculou a nós contra a bruxaria. Aliás, esquecemos que nossa Missão se restringia aos pequeninos acusados por profecias sacerdotais, e o Adailton lhes disse que, pela Graça Abundante de Deus, NÃO TEM maldição que NÃO tenha encontrado seu fim na Cruz de Cristo! Bastava que todos cressem! E todos foram convidados a “SAY NO TO WITCHCRAFT!!!”. Falamos que nosso país também é supersticioso sim; mas que raramente afligíamos nossas vidas com tamanha escravidão cultural, agravada pela astúcia de homens que induzem ao erro os incautos!
Ontem, em Eket, aqui… A alegria deu lugar à vergonha e ao vexame de viver uma situação desse tipo. Os pastores que fingiam que não estavam vendo nada ao redor deles vieram nos dizer que estamos JUNTOS contra a estigmatização infantil.
A distribuição dos evangelhos “GOOD NEWS OF JESUS CHRIST” (ABBA PRESS) e o lançamento do livro “JESUS AND THE CHILDREN” foi feita debaixo de um tumulto incontrolável… Nossos guarda-costas voluntários empurravam o povo de volta para as cadeiras sob pena de não presentear quem estivesse quase arrancando os livros da mão do Clayton, com mão, roupa, Clayton e tudo junto!
Ao final, tiramos centenas de fotos com tanta gente que foi ficando tudo muito cansativo e atordoante ao mesmo tempo em que o amor para com o povo tem aumentado em nossos corações.
Já era noite escura na cidade.
Agora, a gente ia dormir e a notícia ia correr, correr.
A literatura também.
E mesmo o diabo, acusador de nossos irmãos!
Marcelo
Eket City, onde também tem gente boa de Deus!
OBS.: Seria só publicidade se não fosse Verdade. E isso a fim de que o coração de vocês se alegre tal qual o nosso!
Valmir Bodruc
Caminho Nações
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