O coração pulsante do mestre II
Postado em 26 de Julho de 2010 por tucoeggNossa salvação e força residem na confiança total no Grande Mestre que partiu o pão com Zaqueu, o proscrito. Partilhar de uma refeição com um pecador notório não foi um mero gesto de tolerância liberal e de sentimentalidade humanitária. Foi a corporificação de sua missão e mensagem: perdão, paz e reconciliação para todos, sem exceção.
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A prometida paz que o mundo não provê encontra-se num relacionamento apropriado com Deus. A auto-aceitação só se torna possível quando confio radicalmente que Jesus me aceita como sou. Dar boas-vindas ao impostor e ao fariseu dentro de mim marca o início da reconciliação comigo mesmo e o fim da esquizofrenia espiritual.
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O coração fala ao coração. O Mestre roga: “Você não entende que o discipulado não está relacionado com ser correto, perfeito ou eficiente? Tem tudo a ver com a forma pela qual vocês convivem”. A cada encontro, damos ou sugamos vida. Não há intercâmbio neutro.
Realçamos a dignidade humana ou a diminnuímos. O sucesso ou fracasso de um dia qualquer se mede pela qualidade do nosso interesse e nossa compaixão pelos que nos rodeiam. Nós nos definimos pela reação à necessidade humana.
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Extraído do capítulo 9 de
O impostor que vive em mim
de Brennan Manning
O coração pulsante do mestre
Postado em 19 de Julho de 2010 por tucoeggSem suas feridas, onde estaria seu poder?
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A vida dos que se engajam plenamente no conflito humano será crivada de balas. O que aconteceu com Jesus vai, de alguma forma, acontecer conosco. As feridas são necessárias. A alma, assim como o corpo, precisa ser ferida. Pensar que o estado natural e apropriado é permanecer ileso é pura ilusão. Aqueles que usam coletes a prova de balas para se proteger do fracasso, do naufrágio e do coração despedaçado nunca saberão o que é o amor.
A vida sem ferimentos não mostra nenhuma semelhança com a do Mestre.
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As depressãos, ciumeiras, narcisismo e fracassos não estão na contramão da vida espiritual. Na verdade, lhe são essenciais. Quando cultivados, impedem que o espírito entre arremetidamente no ozônio de perfeccionismo e orgulho espiritual.
Thomas Moore, The care of the soul, P. 263
O impostor que vive em mim não deve (nem pode) ser morto, mas encarado com sinceridade.
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Com quem falarei abertamente? A quem posso revelar minha alma? Para quem ousarei dizer que sou malévolo e benevolente, casto e vulgar, compassivo e vingativo, altruísta e egoísta; que por debaixo de minhas palavras corajosas vive uma criança assustada, que me imiscuo na religião e na pornografia, que manchei o caráter de um amigo, traí a confiança, violei uma confidencia, que sou condescendente e sério, intolerante e fanfarrão, que realmente odeio quiabo?
Se expuser o impostor e revelar o verdadeiro eu, o maior medo é ser abandonado por meus amigos e ridicularizado por meus inimigos.
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Extraído do capítulo 9 de
O impostor que vive em mim
de Brennan Manning
Coragem e fantasia
Postado em 12 de Julho de 2010 por tucoeggA medida de nossa profunda consciência da presença do Cristo ressurreto consiste na capacidade de nos posicionarmos a favor da verdade e de suportarmos a desaprovação dos que nos são importantes. A crescente paixão pela verdade evoca um desenvolvimento indiferente à opinião pública e ao que as pessoas dizem ou pensam. Não conseguimos mais nos deixar levar pela multidão ou fazer eco à opinião de outros. A voz interior “seja corajoso, sou eu, não tema” nos dá a certeza de que nossa segurança repousa no fato de não termos segurança alguma. Quando nos colocamos sobre os próprios pés e assumimos a responsabilidade por nosso eu singular, crescemos em autonomia e força pessoal e nos libertamos das amarras da aprovação humana.
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A única resposta correta e adequada à pergunta que se espalhou no tempo de Jesus — e que, no Novo Testamento, os discípulos também colocaram para Jesus — “Quando virá o fim e quais serão os sinais?” é, portanto: não se confundam com tais coisas, mas vivam a vida comum de cristãos, de acordo com a prática do Reino de Deus; então nada nem ninguém lhes sobrevirá inesperadamente que não seja o governo libertador do próprio Deus…
Não importa se agora você está trabalhando no campo ou moendo milho, se é sacerdote ou professor, cozinheiro ou porteiro, ou um aposentado de idade avançada. O que importa é como está sua vida ao apegar-se à luz do evangelho de Deus, cuja natureza é amar toda a humanidade.
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Extraído do capítulo 8 de
O impostor que vive em mim
de Brennan Manning
O resgate da paixão
Postado em 5 de Julho de 2010 por tucoeggO número de pessoas que fugiram da igreja por ela ser paciente ou compassiva demais é despresível; o número dos que fugiram por achá-la demasiadamente implacável é trágico.
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Extraído do capítulo 7 de
O impostor que vive em mim
de Brennan Manning
A presença do ressurreto
Postado em 28 de Junho de 2010 por tucoeggQuando a tragédia indesejada aparece e nos ensurdecemos para tudo o que não seja o ruído esganiçado da própria agonia, quando a coragem pula pela janela e o mundo parece ser um lugar hostil e ameaçador, é hora do nosso Getsêmani. Nenhuma palavra, não importa quão sincera, oferece qualquer conforto ou consolo. A noite é ruim. A mente está amortecida, o coração esvaziado, os nervos abalados. Como agüentaremos passar a noite? O Deus de nossa jornada solitária está silencioso.
Mesmo assim, pode acontecer que, nas provações mais desesperadoras de nossa existência humana, além de qualquer explicação racional, sintamos uma mão cravejada nos agarrar firmemente.
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“A única razão para fazer a coisa certa é que essa é a coisa certa a fazer; todas as outras razões são razões para fazer alguma outra coisa”.
Peter G. van Breeman, Called by name, p. 38 - citado por Manning
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Extraído do capítulo 6 de
O impostor que vive em mim
de Brennan Manning
O fariseu e a criança
Postado em 21 de Junho de 2010 por tucoeggEm vez de uma história de amor, a bíblia é vista como um manual de instruções.
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Palavras de Tomas Merton: “Se tenho uma mensagem para meus contemporâneos, certamente é esta: sejam o que quiserem, sejam loucos, bêbados… Mas evitem, a todo custo, uma coisa: ’sucesso’”. Evidentemente, Merton se refere ao culto ao sucesso, à fascinação farisaica por honra e poder, o impulso implacável de realçar a imagem do impostor aos olhos dos admiradores. Quando, porém, minha falsa humildade desdenha do prazer da conquista e escarnece os elogios e louvores, fico orgulhoso dela, alienado e isolado das pessoas reais, de modo que o impostor domina novamente.
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Extraído do capítulo 5 de
O impostor que vive em mim
de Brennan Manning
O filho de Abba
Postado em 14 de Junho de 2010 por tucoeggA coisa absolutamente imperdoável [de Jesus] não foi sua preocupação com doentes, aleijados, leprosos, possessos […] nem mesmo sua parceria com as pessoas pobres e humildes. O problema real foi que ele se envolveu com falhas morais, com pessoas obviamente irreligiosas e imorais; pessoas política e moralmente suspeitas, inúmeros tipos duvidosos, obscuros, abandonados e desesperançados, existindo como um mal que não pode ser erradicado na periferia da sociedade.
Esse foi o escândalo verdadeiro. Ele tinha mesmo que ir tão longe? […] Que tipo de amor perigoso e ingênuo é esse, que não conhece seus limites: as fronteiras entre os colegas conterrâneos e estrangeiros, membros e não-membros do partido, entre vizinhos e pessoas distantes, entre chamados honrados e desonrados, entre pessoas morais e imorais, boas e ruins? Como se a distinção não fosse absolutamente necessária aqui. Como se não devêssemos julgar nesses casos.
Como se pudéssemos sempre perdoar nessas circunstancias.
Hans Kung, On being a Christian, p. 32 - citado por Manning
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Lembre-se da passagem, em Mateus, em que Jesus diz “sejam perfeitos assim como é perfeito nosso pai que está nos céus”. Em Lucas, o mesmo versículo está traduzido por “sejam compassivos assim como nosso Pai que está nos céus é compassivo”. Os estudiosos da Bíblia dizem que estas duas palavras: perfeito e compassivo podem ser reduzidas à mesma realidade. Conclusão: seguir Jesus em seu ministério de compaixão define, com precisão, o significado de sermos perfeitos como é perfeito nosso Pai que está nos céus.
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Tenho tentado negar, ignorar ou reprimir os preconceitos racistas e homofóbicos, considerando-os inteiramente indignos de um ministro do evangelho. Além disso, achava que reconhecer sua existência poderia dar-lhes força. Ironicamente, a negação e a repressão são, na verdade, o que lhes dá força. O impostor começa a se encolher apenas quando é reconhecido, acolhido e aceito. A auto-aceitação, que flui do acolhimento da identidade essencial como filho de Deus, me habilita a enfrentar toda minha transgressão com uma honestidade inflexível, e completo abandono à misericórdia de Deus. Como disse minha amiga, a freira Barbara Fiand: “Integridade é reconhecer a transgressão e ser curado por meio dela”.
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Extraído do capítulo 4 de
O impostor que vive em mim
de Brennan Manning
O Amado
Postado em 7 de Junho de 2010 por tucoeggIronicamente, a própria igreja pode afagar o impostor conferindo ou retendo honrarias, oferecendo o orgulho de uma posição baseada no desempenho e criando a ilusão de status pelo escalão e pela ordem de importância.
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[Em um retiro na cominidade L’Arche, para pessoas com deficiência física e mental, Mike Yaconelli encontrou o eu verdadeiro. Citado no livro de Manning:]
Era na aceitação da falta de fé que Deus poderia me dar fé. Era ao acolher minha transgressão que poderia me identificar com a trangressão dos outros. Meu papel era identificar-me com a dor dos outros, não aliviá-la. Ministrar era compartilhar, não dominar; entender, não teologizar; cuidar, não consertar.
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Extraído do capítulo 3 de
O impostor que vive em mim
de Brennan Manning
O impostor
Postado em 31 de Maio de 2010 por tucoeggNão somos muito bons em reconhecer ilusões, muito menos as que nos são mais queridas — aquelas com as quais nascemos e que nutrem as raízes do pecado. Para a maior parte das pessoas no mundo, não há nenhuma realidade subjetiva maior do que o falso eu que possuem, e que não tem autorização para existir. Uma vida devotada ao culto dessa sombra é o que se chama de vida de pecado.
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A triste ironia é que o impostor não consegue experimentar intimidade em nenhum relacionamento. Seu narcisismo exclui os outros. Incapaz de ter intimidade consigo, além do alcance de seus sentimentos, intuições e percepções, o impostor é insensível ao humor, às necessidades e aos sonhos dos outros.
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Reconhecer com humildade que habito frequentemente num mundo irreal, que banalizei meu relacionamento com Deus e que sou levado por vãs ambições, tudo isso é o primeiro golpe para desmantelar minha imagem cintilante.
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A auto-aceitação é a essência do problema moral e o epítome da perspectiva integral para a vida. Dar comida aos pobres, perdoar um insulto, amar meu inimigo em nome de Cristo — todas são indubitavelmente grandes virtudes. O que faço para o menor de meus irmãos, o faço para Cristo. Mas e se eu descubrisse que o menor entre eles, o mais pobre dos mendigos, o mais despudorado dos infratores, o próprio inimigo em pessoa estão dentro de mim, e que eu mesmo preciso das minhas esmolas, e que eu mesmo sou o inimigo que precisa ser amado? E aí? Normalmente, nesse caso, revertemos a situação. Já não se trata de uma questão de amor ou de tolerância; dizemos ao irmão dentro de nós: “Racá” [Mateus 5:22], nos condenamos e nos enfurecemos contra nós mesmos.
Escondemos isso do mundo; nos recusamos mesmo a admitir que encontramos esse ínfimo entre os inferiores dentro de nós mesmos.
C. J. Jung, Modera man in search of asoul, p. 235.
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Extraído do capítulo 2 de
O impostor que vive em mim
de Brennan Manning
VOCÊ JÁ ME TOCOU ALGUM DIA EM SUA VIDA?…
Postado em 12 de Maio de 2010 por bedhungVOCÊ JÁ ME TOCOU ALGUM DIA EM SUA VIDA?…
O modo de Jesus dizer que no ambiente Dele, do Reino, do espírito, da fé e das relações com o mistério e o poder de Deus, o que conta é o que é; e que o que é não o é porque pareça ser…, ou porque seja factual e real aos sentidos humanos, mas sim porque seja verdadeiro na intenção, na motivação e na sinceridade que combina o caminho interior com a vereda exterior — sim, entre tantas formas de Ele assim e isso ensinar…, uma das mais importantes para mim, dado ao fato de que seja uma história e não um conceito defendido como tal, é o episodio da “mulher do fluxo”; o qual nos apresenta um monte de mãos pegando e apalpando Jesus, mas apenas uma pessoa tocando Nele de fato-divino-fato…; ao ponto de Pedro [ente externo a Jesus], dizer a Ele que a Sua pergunta “Quem me tocou?” ser absurda em razão de que centenas estavam tocando Nele simultaneamente…
Era real que muitos tocavam Nele…
Era fato o que Pedro afirmava…
Sim, ambas as coisas eram tanto reais quanto factuais, mas para Jesus não eram nada além de realidades e factualidades, pois, sem amor e fé nenhuma pegada em Deus se torna toque que conecta a pessoa a Deus!
Portanto, para Jesus o real não é aquilo que apenas se apresenta como realidade aos sentidos, assim como fato aferível aos sentidos é fato histórico, mas, para Ele, não necessariamente realiza fatos divinos, os quais são mais realidades da verdade do que realidades do real/histórico; coisas que se aferem pelos sentidos e pelas medições factuais…, diferentemente do que toca em Deus, que antes disso é feito pelo amor que se derrama em fé…
Quem não entende isso vive a pegar Jesus sem tocar Nele jamais!…
Apalpam Jesus…, mas não o tocam…
Sim, fazem isso de muitos modos…
São ritos, são batismos, são cultos, são estudos bíblicos, são seminários, são ministérios, são campanhas de oração, são encontros de poder, são expectativas pagãs de milagres, são estudos profundos sobre Deus, são missões e muitas missões; são as curiosidades que põem muitos em estado de histeria tocante…; e tudo mais… — sem, todavia, realizarem a verdade como realidade e a realidade como verdade; posto que sejam toques como os da multidão que apalpava para não perder a viagem…, mas que não fizera a viagem para buscar virtude, graça, poder, fé e amor.
Vejo os templos cheios… Tão cheios quanto eram os ajuntamentos com Jesus em Cafarnaum…
Vejo milhares na festa das apalpadelas divinas e supersticiosas […]; sem falta ao culto como toque físico de Jesus…; enquanto apenas uns poucos na multidão de fato suscitam em Jesus a pergunta que espera apresentação verdadeira: “Quem me tocou?”…
Chega de perder tempo…
Só vale a pena ser de Jesus se a cada toque nosso Nele corresponder em verdade a um toque Nele; e não no que sendo Dele, como um manto, um pão, um vinho, um batismo, um culto, uma mensagem… — nos dê a falsa idéia de que a coisa possa representar Aquele que não é coisa, pois é espírito; e, portanto, só pode ser tocado pelo espírito…; e em espírito e verdade…
Qualquer outra coisa pode ser tão real quanto a matéria e tão factual quanto a História ou a Ciência, mas, para Deus, sem amor e fé nada será!
Realidade e factualidade só existem com significado para Deus se forem erguidas no fundamento da verdade sincera e que beija o Significante [Deus] e não apenas toca o significado… [a coisa]…
Creia nisto!
Nele, que pergunta a você: Você já me tocou algum dia em sua vida?…
Caio


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