Ansiedade
Postado em 7 de Abril de 2010 por tucoeggAlegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: Alegrem-se! Seja a amabilidade de vocês conhecida por todos. Perto está o Senhor. Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus.
Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas. Ponham em prática tudo o que vocês aprenderam, receberam, ouviram e viram em mim. E o Deus da paz estará com vocês.
(Filipenses 4:4-8)
Ah! Se pudéssemos nos alegrar em Deus. Sempre e sempre. Sermos amáveis e conhecidos por isso. E vivermos tranquilos, livres da ansiedade do ter e do produzir loucamente e dos resultados. Se nossos desejos fossem entregues a Deus e não mais nos dominassem. Então seríamos inundados pela paz! Incompreensível paz, nascida em Jesus e derramada graciosamente sobre nós. E aí, incrivelmente, como que por milagre, estaríamos livres para ocupar nosso pensamento tão somente com a verdade e não mais com dissimulações e enganos (auto-enganos). Nos ocuparíamos com aquilo que é puro, amável, nobre e digno de louvor. Se tão somente nos livrassemos da ansiedade, tudo isso poderia brotar em nós.
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O texto de Paulo é um convite à uma vida de alegria, amor e paz. Um convite à vida abundante proposta por Jesus. Um convite àquilo que é a proposta do Evangelho à todos, indistintamente. Um clamor de Paulo à vida simples e completa que nos é oferecida por Cristo. A questão central do clamor de Paulo, no entando, não está na alegria, nem no amor, nem na paz. O foco dele nesse texto, aquilo que serve como origem, como centro, como semente a partir da qual floresce a planta, é a ansiedade.
Alegria, amor e paz? Alguém se interessa por isso? Alguém quer uma vida baseada nesse tripé? Então, meus amigos, não andem ansiosos por coisa alguma. O texto prossegue naquilo que é a grande pegada de toda a frase - apresentem seus pedidos a Deus. É aqui que o crente cai como um pato. Passando os olhos por ali, salta diante de nós, devidamente adestrados pelos televangelistas e pelos CDs de adoração, nossa grande chance. Entregar nossos pedidos à Deus. É isso que Paulo pede. Então começamos a frenética tarefa de levantar uma lista de pedidos, de desejos, de sonhos, de necessidades, de carências e de urgências para entregar à Deus. E entregamos à ele de joelhos, olhos espremidos, reverberando em nossa mente a frase que já ouvimos centenas de vezes - Deus responde todas as minhas orações. Pronto. Apesar de entregues à Deus, tratamos de guardar uma cópia de nossas súplicas no bolso. Consultamos constantemente a lista a fim de ‘ticar’ aquilo que já foi respondido - esse sim, esse não, esse sim, aleluia! Sem perceber, entramos no processo contrário ao proposto pelo texto. Passamos a viver ansiosos pela lista, aguardando cada resposta, sofrendo com cada revés, jejuando e espremendo os olhos ainda mais forte para conseguir alguma resposta mais inadiável. E tornamo-nos os mais ansiosos dentre os ansiosos. Os mais dignos de compaixão.
O clamor de Paulo é inverso à nossa prática mais comum. A sugestão do apóstolo é mais difícil de engolir pela nossa mentalidade imediatista e exigente de quem se acha especial por ser filho de Deus - e não uma simples criatura, como aquele infeliz vizinho ou colega de trabalho. “Apresentem a Deus” traz consigo a idéia de entrega. Peguem essa lista que vocês fizeram e entreguem para Deus para que Ele os livre da opressão da lista. Não façam uma cópia da lista pra vocês. Abandonem-na no colo do Pai. Permitam que ele os ensine a viver sem listas, sem desejos, sem projetos de sucesso, sem amontoar tesouros em galpões mofados - sem estar ansiosos com coisa alguma.
Paulo aponta para o ensino entoado em cânticos mas abandonado na prática por centenas de gerações de discípulos. Alegria, amor e paz? Lembrem que o Mestre não tinha onde reclinar a cabeça. Olhem para as andorinhas. Olhem para os lírios. Não plantam, não colhem, não vestem-se, não ostentam. Entreguem sua lista pra Deus e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus. Abram mão da lista. Abandonem-na com ações de graça nas mãos de Deus.
Aí, como resultado, como planta que desabrocha da semente da entrega, surgirá a paz e o terreno apropriado para florescer amor e alegria. E nesse ambiente fértil poderemos inundar nossos pensamentos de tudo o que for verdadeiro, nobre, correto, puro, amável, de boa fama, excelente e digno de louvor. Se tão somente abandonarmos nossa ansiedade no colo do pai.



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