Ansiedade

Postado em 7 de Abril de 2010 por tucoegg

Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: Alegrem-se! Seja a amabilidade de vocês conhecida por todos. Perto está o Senhor. Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus.

Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas. Ponham em prática tudo o que vocês aprenderam, receberam, ouviram e viram em mim. E o Deus da paz estará com vocês.

(Filipenses 4:4-8)

Ah! Se pudéssemos nos alegrar em Deus. Sempre e sempre. Sermos amáveis e conhecidos por isso. E vivermos tranquilos, livres da ansiedade do ter e do produzir loucamente e dos resultados. Se nossos desejos fossem entregues a Deus e não mais nos dominassem. Então seríamos inundados pela paz! Incompreensível paz, nascida em Jesus e derramada graciosamente sobre nós. E aí, incrivelmente, como que por milagre, estaríamos livres para ocupar nosso pensamento tão somente com a verdade e não mais com dissimulações e enganos (auto-enganos). Nos ocuparíamos com aquilo que é puro, amável, nobre e digno de louvor. Se tão somente nos livrassemos da ansiedade, tudo isso poderia brotar em nós.

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O texto de Paulo é um convite à uma vida de alegria, amor e paz. Um convite à vida abundante proposta por Jesus. Um convite àquilo que é a proposta do Evangelho à todos, indistintamente. Um clamor de Paulo à vida simples e completa que nos é oferecida por Cristo. A questão central do clamor de Paulo, no entando, não está na alegria, nem no amor, nem na paz. O foco dele nesse texto, aquilo que serve como origem, como centro, como semente a partir da qual floresce a planta, é a ansiedade.

Alegria, amor e paz? Alguém se interessa por isso? Alguém quer uma vida baseada nesse tripé? Então, meus amigos, não andem ansiosos por coisa alguma. O texto prossegue naquilo que é a grande pegada de toda a frase - apresentem seus pedidos a Deus. É aqui que o crente cai como um pato. Passando os olhos por ali, salta diante de nós, devidamente adestrados pelos televangelistas e pelos CDs de adoração, nossa grande chance. Entregar nossos pedidos à Deus. É isso que Paulo pede. Então começamos a frenética tarefa de levantar uma lista de pedidos, de desejos, de sonhos, de necessidades, de carências e de urgências para entregar à Deus. E entregamos à ele de joelhos, olhos espremidos, reverberando em nossa mente a frase que já ouvimos centenas de vezes - Deus responde todas as minhas orações. Pronto. Apesar de entregues à Deus, tratamos de guardar uma cópia de nossas súplicas no bolso. Consultamos constantemente a lista a fim de ‘ticar’ aquilo que já foi respondido - esse sim, esse não, esse sim, aleluia! Sem perceber, entramos no processo contrário ao proposto pelo texto. Passamos a viver ansiosos pela lista, aguardando cada resposta, sofrendo com cada revés, jejuando e espremendo os olhos ainda mais forte para conseguir alguma resposta mais inadiável. E tornamo-nos os mais ansiosos dentre os ansiosos. Os mais dignos de compaixão.

O clamor de Paulo é inverso à nossa prática mais comum. A sugestão do apóstolo é mais difícil de engolir pela nossa mentalidade imediatista e exigente de quem se acha especial por ser filho de Deus - e não uma simples criatura, como aquele infeliz vizinho ou colega de trabalho. “Apresentem a Deus” traz consigo a idéia de entrega. Peguem essa lista que vocês fizeram e entreguem para Deus para que Ele os livre da opressão da lista. Não façam uma cópia da lista pra vocês. Abandonem-na no colo do Pai. Permitam que ele os ensine a viver sem listas, sem desejos, sem projetos de sucesso, sem amontoar tesouros em galpões mofados - sem estar ansiosos com coisa alguma.

Paulo aponta para o ensino entoado em cânticos mas abandonado na prática por centenas de gerações de discípulos. Alegria, amor e paz? Lembrem que o Mestre não tinha onde reclinar a cabeça. Olhem para as andorinhas. Olhem para os lírios. Não plantam, não colhem, não vestem-se, não ostentam. Entreguem sua lista pra Deus e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus. Abram mão da lista. Abandonem-na com ações de graça nas mãos de Deus.

Aí, como resultado, como planta que desabrocha da semente da entrega, surgirá a paz e o terreno apropriado para florescer amor e alegria. E nesse ambiente fértil poderemos inundar nossos pensamentos de tudo o que for verdadeiro, nobre, correto, puro, amável, de boa fama, excelente e digno de louvor. Se tão somente abandonarmos nossa ansiedade no colo do pai.

Senda

Postado em 7 de Abril de 2010 por bedhung

Leva um tempo até percebermos o real
Leva um tempo para descobrirmos a fragilidade de nossas teorias
Leva um tempo para enxergarmos os equívocos de nossas narrativas
Leva um tempo para assumirmos nosso engano

Depois de um tempo buscando sistematizar o impossível, desistimos
Falta-nos a competência de aceitar o absurdo
Falta-nos a fé para aceitar o mistério
Falta-nos humildade para entender que a Verdade não cabe nos nossos conceitos

Quando acordamos do sono da ignorância tudo fica em seu lugar
A alienação dá lugar à contemplação da vida humana
A presunção desaparece e nos percebemos um com o restante
E o silêncio reverente ocupa o espaço das falas tolas dos que nada diziam

Abandonamos as bandeiras
Limpamos o rosto
Desarmamos-nos
E passamos a caminhar apenas como gente que vê no outro um semelhante

Nossas prateleiras são esvaziadas
Os livros das especulações abandonados
Nossa leitura passa a ser da vida
E nossa sabedoria nasce do solo da existência

Esse é o nosso tempo
Tempo de deixarmos os rótulos que nos separam
O que é o negro ou o branco?
O que é o rico ou o pobre?
O que é o homem ou a mulher?
O que é a criança ou o velho?
O que é o religioso ou o ateu?
O que é o pecador ou o santo?
O que é o poderoso ou o fraco?
O que é o hetero ou o homo?
Somos todos seres humanos na jornada de tornamo-nos o que realmente somos

Não há nada mais a se dizer
A única Verdade é o Amor
Pois sem Amor jamais compreenderemos o mistério de sermos todos Um
Mesmo que chamemos a estrada de vários nomes estamos todos no mesmo Caminho
E Aquele que nos criou nos conduzirá para Si

Ivo Fernandes

Por que você não ressuscita mortos nesta Páscoa?

Postado em 2 de Abril de 2010 por bedhung

A sexta-feira dos judeus começa na quinta-feira às seis da tarde e termina no sábado à mesma hora ao entardecer.

Portanto, na última sexta-feira de vida físico/terrena de Jesus Ele foi traído…

Traído, negado e deixado pelos Seus amigos!…

Assim, do ponto de vista psicológico/relacional da Páscoa de Jesus, tem-se a sexta-feira das traições, negações, abandonos e maus tratos; tem-se o sábado do silencio do Traído, o choro dos negantes e a morte por suicídio de um dos traidores emblemáticos, Judas; e no domingo tem-se o grito do Traído vencendo todas as traições com a força da Ressurreição, que perdoa a todos os cativos da morte; posto que a morte, ou o medo de morrer, sejam os fatores que, associados à inveja, frustração ou qualquer outro sentimento que decorra do medo da morte ou da necessidade de não perder a vida ou a oportunidade da existência — façam as pessoas, por caminhos diversos, traírem, negarem ou fugiram do amor antes confessado.

Assim, se a Páscoa nos fala da Libertação da morte e do medo de morrer, bem como nos anuncia a vitória da Ressurreição sobre as garras da morte, do mesmo modo nos fala de nós mesmos; sim, do nosso poder de negar e de trair; bem como do nosso poder de ressuscitar mortos pela via do perdão.

Quem nunca foi traído por algum amigo ou por vários deles?

Eu, no que me concerne, de um modo ou de outro, já fui traído muitas vezes, e pelos melhores amigos; amigos que ainda hoje me são os melhores amigos pelo poder da Ressurreição.

Sim, pois Perdão é Ressurreição!

No Evangelho Perdão é o poder que Ressuscita os que se suicidaram ante os nossos olhos, ou que nos traíram quando antes nos confessavam apenas amor.

Praticamente nunca tive amigos que leve ou pesadamente não me tenham traído!

Por vezes é algo involuntário, que não visa atingir a você, mas apenas salvar a própria pele…

Por vezes são traições deliberadas, mesmo que aquele que trai pense que somente faz aquilo porque você já não está mais no circulo da vida…

Os temas de tais traições são diversos, bem como sua gravidade ou intensidade destrutiva…

Sim, pois há as traições que negociam você, como fez Judas; e há as traições que negam você, como fez Pedro; e ainda há a traição dos que fogem de medo, racionalizando: “De que adianta a ele que eu agora lhe conforme amizade se ele mesmo já perdeu a chance da vida e da continuidade?”

Todos os meus amigos mais íntimos, de um modo ou de outro, até quando pensam não estar traindo, por vezes traem […] até quando se calam…

Mas e daí?

O Perdão é a Ressurreição dos que se fizeram mortos para você, mas que pela Graça em seu coração lhe foram devolvidos á sua própria vida, e à vida deles mesmos por você — exclusivamente pelo poder de fazer as marcas da morte serem vencidas pelo Perdão que Ressuscita o traidores, oferecendo-lhes o mundo novo que, em amizade, você lhes oferece; como Jesus fez com Seus amigos.

Quem vive esperando não ser traído pelos seus amigos não entendeu que isso nunca foi ou será possível!

Há um só Amigo que jamais traiu em pensamento, palavras, ações, comissões e omissões!

Os demais, mesmo os melhores, traem; e quem não sabe disso nunca aprendeu o que seja ter amigos e mantê-los apesar de tudo!

Já fui traído por amigos muitas vezes, até quando alguns deles nem imaginavam que estavam me traindo…

Mas e daí?

Afinal, você sabe que já traiu também…

Sim, não apenas quando vendeu alguém ou negou que fosse amigo e íntimo, mas quando fez silêncio, ou aceitou um veredicto perverso contra o outro, ou mesmo quando criticou sem dizer, quando cobiçou ainda que sem possuir, quando fez parte de algo […], por mais sutil que tenha sido, ou até involuntariamente, mas que atingiu a vida do outro.

Nesta Páscoa Ressuscite muitos amigos!

Sim, faça isto perdoando-os; assim como Jesus fez, devolvendo vida aos amigos que Dele haviam se ausentado pela fraqueza do caráter ou mesmo em razão do poder da vergonha […] por terem feito o que fizeram.

Sim, nesta Páscoa exerça o Poder da Ressurreição praticando a Graça do Perdão; e, desse modo, devolvendo vida a muita gente que, em relação a você, se sente morta para sempre!

Tire esta Páscoa dos ambientes da Ressurreição apenas doutrinária ou tão somente da fé no Ressuscitado/Histórico!

Esta Páscoa pode levantar mortos ante os seus olhos; sim, não como algo distante de você, porém como aquilo que acontece ao seu lado, bem perto de você.

Ora, isto somente será real e verdadeiro se você reproduzir perdão com a fertilidade dos coelhinhos…

Quem me lê e me entende; e esse Ressuscita os mortos; posto que os traga de volta à vida pelo Perdão que ressuscita […] os que ante nossos sentidos se zumbificaram pela traição, negação, omissão ou comissão que nos fez mal.

Feliz Páscoa para você!

Que todos sejam perdoados!

Nele, que Ressuscitou para me perdoar eternamente, e para me dar o poder de ressuscitar os que se mataram ante os meus sentidos,

Caio

2 de abril de 2010

Lago Norte

Brasília

Equipe Caio Fábio

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Deus precisa de dinheiro? Parte 1

Postado em 30 de Março de 2010 por bedhung

Meu Pai é o Agricultor!

Postado em 27 de Março de 2010 por bedhung

Eu estava tentando ficar quieto, dando sossego ao meu corpo e mente, e, sobretudo ao meu espírito […]; e fazia isto assentado num desses bancos de madeira […], comuns em praça velha, coberto por uma “capela” de bambuzinhos que se derramam sobre o banco cansado de guerra, mas que me dá o maior aconchego […].
Ora, dali […] olhando o resto do quintal/jardim/casa/destelhada… [nosso quintal: onde se tem tudo de uma casa, mas ao ar livre…], com os três laguinhos que aqui fiz para minha diversão e prazer [lazer de alguns lindos sábados]; e olhando mais um monte de outras coisinhas […], como uma casa/cacimba/amazônica, toda de madeira, com cara de velha […]; ou um batistério de arquitetura com o estilo dos Essênios, conforme se vê em Qunram, no Mar Morto […]; tudo feito por nós mesmos, usando material velho jogado fora aqui nas ruas do Lago Norte…
Amo ficar ao ar livre o dia todo, em nosso quintal/casa…
Além de tudo isso ainda há a impressão que causa a enorme quantidade de plantas e árvores [maiores e menores de tipo e naturezas bem distintas] — o que atrai uma passarada maravilhosa; de nobres “alma de gatos”, “bem-te-vis”, “sabiás laranjeiras” […] a uma grande quantidade de outros mais de 15 tipos […], sem falar nos periquitos, que nesta época abundam […].
Portanto, enquanto via tudo isto […] e ouvia o ruído meigo da maquina com a qual o Jove estava cortando a grama, com o subseqüente aroma que sobe de mato cortado à espera do rastelo […], dei-me conta de que as nossas videiras estão lindas, cheias, carregadinhas de pequenos cachos; e produzindo uma bela sombra sob suas galhadas e ramagens […] trepadas sobre a estrutura que as ampara…
Logo outra vez Aquela Voz…
“Eu sou a Videira Verdadeira e meu é o Agricultor; todo ramo que estando em mim não der fruto, Ele o corta; e todo o que dá fruto, limpa, para que produza mais fruto ainda”.
Então lembrei como de todas as árvores que já cuidei na vida, nenhuma dá e demanda mais cuidado e carinho que a videira…
Para se amar uma videira tem-se que ter um amor que ama sem pena; com amor mesmo; visando a vida; e nunca a aparência…
Sim, pois pelo menos duas vezes ao ano, por vezes até três…, você tem que amar a videira, no auge de sua folhagem, tendo a coragem de podá-la toda, tirando ramo a ramo, folha a folha, deixando apenas os ramos que frutificam; e cortando os que não dão fruto…, mas que ainda assim existem na videira…
Os que dão fruto ficam na videira…
Os que não dão fruto o Jove joga num circulo de pedras que temos justamente para fazer fogueira e queimar galhos velhos no inverno…
O Agricultor, porém, tem que amar com amor mesmo; e não com mágicas amorosas…
Se Ele ama a Videira Ele tem que limpa-la, cortar pedaços dela; ou seja: o Agricultor tem que nela exercer a poda… Sempre… Todos os anos… Mais de uma vez cada ano…
O Agricultor também limpa em volta da videira… Cava o solo… Afofa o chão… E aduba ao redor, mas não tão próximo ao pé da Videira, que é para não alterar a qualidade harmônica e orgânica da terra… Assim, o Agricultor não põe o reforço no pé da Videira, mas no chão da terra […] mais distante um pouco… Assim, o Agricultor põe o adubo de modo a que a Videira ponha suas raízes mais distantes […] e sugue seus melhores nutrientes sem traumas para o caule…
Dói amar a videira quando é o tempo da poda […]. Mas quem não a poda não a ama […].
Vendo o Agricultor amar a Videira aprende-se que o amor tudo sofre, tudo espera e tudo suporta; e que o amor jamais acaba…
O Agricultor não pode amar com romance a Videira, buscando apenas os Seus próprios interesses e prazeres carinhosos… Não!… Ele faz o que tem de ser feito para que a Videira dê mais fruto ainda…
A relação do Agricultor com a Videira/Jesus/Discípulos/Humanidade […] segue a lógica do amor que vejo no meu amor pelas minhas videirinhas; o que me põe no caminho do amor que corta, poda e limpa… — que é o Caminho do Deus Agricultor com o Cristo/Igreja/Humanidade…
Nunca nos esqueçamos que se na Parábola do Joio no Campo de Trigo, o campo é o mundo… — então, não se deveria pensar que o ambiente no qual a Videira esteja plantada seja outro além do chão do mundo; o que faz com que a Videira seja […] numa relação intima e consciente […] aquela que se confessa no vínculo Jesus/Discípulo/Humanidade; e na relação mais ampla, segundo a Ordem de Melquizedeque, a Videira é Cristo/Igreja/Humanidade…
Assim, tanto na perspectiva existencial quanto na coletiva, tem-se que Jesus/Cristo, como Videira, une Seu destino ao destino de Seus ramos; e se submete ao Pai no trato Dele para com todos os ramos, sejam eles os que conhecem a Jesus pelo nome, sejam aqueles que estão incluídos no Cristo/Videira, ainda que nunca tenham ouvido o nome Jesus com os ouvidos carnais…
Assim, vejo não somente a vida pessoal ou a existência comunitária que professa a fé com consciência de Jesus como sendo os únicos ramos da Videira, mas também toda a Humanidade/Ramo/Igreja, segundo a Ordem de Melquizedeque.
Desse modo, em meu olhar, cada acontecimento humano, seja individual ou coletivo ou até global, está carregado do amor do Agricultor que corta, limpa, poda e queima…
No Apocalipse se vê que o Cordeiro [a categoria redentora da descrição do Filho mais ampla existente nas Escrituras…] como sendo Aquele que vindima a Terra… Aliás, a linguagem do Apocalipse está carregada da idéia do trato do Agricultor em relação à Humanidade… Todas as etapas da relação do Agricultor com a Videira estão descritos no Apocalipse; a semeadura, a vindima, a poda, o lagar, o vinho… — porém, em associação à Humanidade…
Estamos nos aproximando de uma dessas Eras de Poda que o Agricultor exerce de tempo em tempo; e com mais aparência de gravidade tanto mais quanto do Fim nos aproximemos…
No tempo do Amor que Poda a única garantia para o ramo terá sido e é a sua permanência intrínseca e intima da Videira.
O Agricultor corta da Videira aquilo que é da Videira, embora tenha se tornado um pedaço dela que não se nutre Dela em essência…
O que se aprende também nessa imagem da Videira é que o amor do Agricultor é pela Videira antes de ser pelos ramos…
Ora, com isto também aprendemos que a única Humanidade que interessa ao Agricultor é aquela que se torna semelhante ao Filho do Homem!
A Meta de tudo é que a Humanidade seja a perfeita semelhança do Filho do Homem…
Assim, para o Pai, a Humanidade tem que ser como o Filho; do contrário, não é humana…
No Fim o Agricultor não soma e nem conta os ramos que se perderam, mas a Videira […] cheia e linda; feita de todos os homens que se mantiveram firmes na única Videira…
Desse modo se pode dizer que o Agricultor pratica no curso da História exatamente a mesma coisa que Ele pratica na Natureza como um todo: seleção natural…; pois, não é Ele quem arranca sem razão […], mas apenas corta aquilo que não se mantém no fluxo da seiva da vida…
Portanto, muitos são chamados, mas poucos os escolhidos; e, estranhamente, os escolhidos são os que permanecem na sua vocação, que é existir da seiva da Videira.

Na Videira e em nome do Agricultor,

Caio
27 de novembro de 2009
Lago Norte
Brasília
DF
OUTRAS LEITURAS:
PERMANEÇAM EM MIM, E EU PERMANECEREI EM VOCÊS!
A IGREJA QUEBRA GALHO DA VIDEIRA
A VIDEIRA DE MINHA CASA E A DE MINHA VIDA
LIÇÕES ETERNAS DA VIDEIRA

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Artrite

Postado em 15 de Março de 2010 por tucoegg

Diante da possibilidade do erro, Fernandes petrificava. Não do erro próprio, é claro. Era o erro do outro que lhe endurecia as articulações. Sofria de uma espécia de artite moral.

Mas nem sempre foi assim.

Houve tempo em que Fernandes não se preocupava com falhas alheias tanto quanto não se preocupava com as próprias. Vivia errando e cercado de erradores, tudo isso parecendo-lhe absolutamente natural. Mas veio o dia da reviravolta. O dia em que Fernandes conheceu Deus.

É evidente que antes desse dia esse sujeito displicente já ouvira falar do criador. Tinha até alguma espécie de respeito por ele, mesmo não tendo convicção de que havia de fato um criador. Caso houvesse, no entanto, certamente o respeitaria. Tanto que, quando soube, por alguma forma de contato místico, que realmente havia, tratou de respeitá-lo da melhor maneira que pode. Estava ciente de que, havendo um criador, seria essencial ter uma boa imagem aos olhos do todo-poderoso. Fuçou no livro sagrado todas as regras que pôde encontrar. Leu, estudou, decorou, introjetou, respirou, arfejou, cada letra de cada lei que era possível encontrar.

Foi quando Fernandes se deu conta de algo terrível. A lista de regras que conseguiu era enorme, impraticável. Achou aquilo tudo um exagero e tratou de selecionar alguns ítens e excluir outros. Selecionou cuidadosamente, seguindo critérios extraídos de dentro do próprio livro santo. Emendou textos de todos os cantos de tal forma que podesse justificar-se quanto a maioria das exclusões. Para muitas não encontrou justificativa nenhuma, mas excluiu-as mesmo assim. Se alguém lhe perguntasse sobre essas, citaria as outras e ponto final.

A lista que sobrou, cumpriu-a literalmente, com algumas exceções, é claro, que cuidava para manter bem escondidas de forma que ninguém nunca soubesse. E escondia tão bem que nem ele mesmo conseguia encontrar as próprias falhas, convencendo-se cada vez mais de que cumpria mesmo à risca sua lista de regras escolhidas.

Foi a partir desse ponto, lista definida e cumprida, que Fernandes começou a transformar-se em pedra. Começou pelo dedo indicador, que permanecia inalteradamente rijo. Primeiro tímido e discreto. Com o tempo adquiriu confiança suficiente para fazer o braço acompanhar o dedo, fazendo questão de ser visto apontando os erros de qualquer um. A expressão do rosto de Fernandes, antes leve e descontraída, passou também pelo macabro processo de congelamento. Olhos sempre semicerrados, à busca de algo, a testa franzida e os cantos da boca sutilmente voltados para baixo.

Todos já notavam a pele pálida de Fernandez e os passos duros e pesados que o levavam de um lado a outro, dedo em riste, apontando para todos os cantos. A dureza do braço e do punho há muito tempo não permitia mais que ele apontasse para si.

Foi quando os poucos amigos que restaram sentiram falta do homem que já não aparecia mais em público há vários dias. Preocupados, foram até sua casa e arrombaram a porta da frente, dando de cara com uma estátua de mármore de Fernandes apontando pela janela para o bar onde, anos antes, ele constumava sentar com os amigos para beber e jogar cartas, ou assistir uma partida de futebol.

Fernandes foi levado pelos amigos para a praça da cidade, bem na frente de vários bares e dos pontos de prostituição e tráfico que surgem com o cair da noite, onde permanece cheio de orgulho até hoje, agora já coberto de cocô de pombo, apontando para todos os que passam por ali.

De como nos congratulamos sem cessar

Postado em 11 de Março de 2010 por bedhung

 Posted: 23 Dec 2009 03:12 AM PST

Minha mesquinheza não tem limites, mas não é sempre que recorro à custosa lucidez que poderia manter-me consciente deste detalhe. Terá sido há vinte anos, mas lembro claramente o dia em que diagnostiquei em mim mesmo o mecanismo de congratulação infinita, através do qual me parabenizo incessantemente pela qualidade equilibrada e excelsa da minha posição. Percebi que, quando estava na casa de alguém muito pobre, agradecia em oração silente a Deus o fato de não ser tão pobre quanto aquela pessoa, e de poder dessa forma ser poupado dos pecados e tentações da pobreza; paralelamente, quando estava na casa de um homem mais rico, congratulava-me pelo fato de não ser tão rico quanto ele, e de ser dessa forma poupado dos pecados muito evidentes da sua riqueza.

Quando uma coisa aconteceu logo após a outra fui capaz de enxergar por um instante o mecanismo por trás da cortina, e recuei em absoluto horror diante de mim mesmo. Mas não tenha pena de mim, porque essa espécie de lucidez só dura um momento. Na maior parte do tempo somos precisamente como o fariseu da parábola, que felicitava-se – e diante de Deus! – por não ser pecador como aquele cobrador de impostos. De fato, consideramo-nos as mais equilibradas, compensadas e admiráveis das criaturas, e damos constantes tapinhas nas nossas próprias costas a fim de festejar adequadamente esses méritos. Fazemos isso condenando sem cessar, do alto de nossa posição, as descompensações dos outros.

Não me lembro de ter visto esse mecanismo articulado de forma mais brilhante do que nesta tira do genial David Malki !, em que um desprezível protagonista, que somos nós, professa sua fé:

– Qualquer um mais inteligente que eu é um nerd; qualquer um mais burro que eu é um idiota. Qualquer um mais velho que eu é um decrépito; qualquer um mais novo que eu é um guri. Qualquer um menos promíscuo que eu é um puritano; qualquer um mais promíscuo que eu é um puto. E, enquanto nos julgamos no centro do equilíbrio, somos poupados dos riscos que ocasionaria avançar em qualquer direção.

Bendita seja nossa mediocridade, que nos salva a cada minuto da insensatez que seria avançar em direção à grandeza.

Paulo Brabo no www.baciadasalmas.com

Morte aos 16 - Música da In Pace (Brusque)

Postado em 4 de Março de 2010 por bedhung

Morte aos 16 - In Pace

 

prematuramente

a vida por um triz

precipitadamente

a morte pede bis

 

violência urbana

pra onde fugir?

da loucura humana

de se auto-destruir

 

saiu cheio de vida

saiu pra se alegrar

a noite interrompida

telefone a tocar

 

violência urbana

pra onde fugir?

da loucura humana

de se auto-destruir

 

notícia muito triste

ninguém pode consolar

uma mãe em desespero

uma lágrima a rolar

 

violência urbana

pra onde fugir?

da loucura humana

de se auto-destruir

 

os olhos sonolentos não dimensionam o perigo daquela curva.

Luz alta, direção contrária… Colisão frontal e fatal.

Curiosos em volta antecipam a viatura da polícia.

Sangue e gemidos de dor.

Resultado final: 2 mortos tragicamente. Um de 18 e outro de 16 anos.

Pense Comigo em 1 minuto N°2

Postado em 26 de Fevereiro de 2010 por bedhung

JESUS É A CHAVE HERMENÊUTICA PARA A COMPREENSÃO DAS ESCRITURAS

Postado em 18 de Fevereiro de 2010 por bedhung

JESUS É A CHAVE HERMENÊUTICA PARA A COMPREENSÃO DAS ESCRITURAS

Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos nossos pais, pelos profetas,

nestes ULTIMOS DIAS, nos falou pelo FILHO, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas,

pelo qual também fez o universo.

Aos Hebreus 1.1-2

“O Verbo se fez carne…”, sendo assim, a Encarnação torna-se nossa única e possível chave hermenêutica para entender a Palavra, a mim mesmo, o próximo e a realidade atual. E é o Espírito quem revela Jesus como a Palavra e a Palavra em Jesus.

Na leitura da Bíblia, a grande tentação é fazer a Escritura se passar por Palavra. As Escrituras se iluminam como a Palavra somente quando aquele que a busca tem como motivação o encontro com a Palavra de Deus. Ou quando o Deus da Palavra fala antes ao coração!

E para se vencer tão grande tentação, proponho a seguir algumas orientações práticas:

1. Deve-se ler existencialmente a Bíblia como tendo seu espírito realizado em Cristo. Ele veio para cumprir tudo. Cumpriu? Sim! Está consumado! Mas cumpriu de uma maneira legal-aos-sentidos? Não! Prova disso que o cumprimento da Palavra em Jesus era justamente aquilo que os mestres da Lei em Seus dias chamavam de transgressão. Assim, há um espírito até na Lei. Jesus cumpriu esse espírito, não suas materializações!

2. Deve-se ler as “falas” de Jesus e não somente fazer (quando se faz) exegese do texto. Antes disso, deve-se perguntar: qual o significado desse ensino de Jesus para Jesus? E a resposta é uma só: veja como Ele lidou com a vida, com as pessoas, com os fatos! Conferindo uma coisa com a outra fica-se livre da construção de dois seres irreconciliáveis: o Jesus que viveu cheio de amor e graça, e o Jesus que ensinou coisas que só os intérpretes autorizados conseguem “captar”.

3. Desse modo, então, não se faz jamais uma interpretação textual que não coincida com o comportamento e com a atitude de Jesus na questão, conforme o Evangelho. Eu confiro tudo com o espírito de Jesus, conforme o Evangelho.

4. Só assim Jesus não fica esquizofrênico ante os nossos sentidos: o que Ele disse, Ele viveu; e o que Ele viveu, é o que Ele disse.

A Bíblia é o Livro.

A Escritura é o Texto.

A Palavra É!

“Escritura” sem Deus é apenas um texto religioso aberto à toda sorte de manipulações!

É somente na Graça que a leitura da Bíblia tem a Palavra para o coração humano. Sem a iluminação do Espírito a Bíblia é apenas o mais fascinantes de todos os best-sellers.

Caio